Suplementos substitutos aos alimentos
Essas substâncias são semelhantes aos compostos naturais presentes no organismo. A dúvida é se ingerir esses suplementos gera algum benefício.
a – Glucosamina e condroitina. A glucosamina e condroitina estão presentes no organismo e ajudam a formar e proteger o tecido conjuntivo. Em forma de comprimido, essa combinação é o suplemento alimentar mais utilizado para a osteoartrite, de acordo com uma pesquisa publicada no Maturitas.
No entanto, os estudos sobre a sua eficácia trazem resultados conflitantes. Uma revisão sistemática de 25 estudos publicada no periódico Inflammopharmacology mostrou que, em pacientes com osteoartrite do joelho, a suplementação diária com cerca de 1500 mg de glucosamina reduziu a diminuição do espaço articular femorotibial. Já a suplementação com cerca de 800 mg de condroitina por dia reduziu a intensidade da dor e melhorou a função física em comparação ao placebo.
A combinação da glucosamina com a condroitina não trouxe benefícios significativos, talvez porque mais estudos sejam necessários. Mas alguns estudos apontam para um potencial da glucosamina de aumentar os efeitos anticoagulantes da varfarina.
b _ Ácidos graxos do tipo ômega 3. O óleo de peixe é um suplemento amplamente comercializado que pode ser útil em doenças reumatológicas inflamatórias. Uma revisão sistemática de 30 estudos com 710 pacientes, publicada no periódico Arthritis Research & Therapy, mostrou que suplementos de ácidos graxos do tipo ômega 3 podem melhorar a dor, o número de articulações edemaciadas e sensíveis em algumas articulações, em pacientes com artrite reumatoide, artrite psoriásica ou espondilite anquilosante.
A sugestões também de que esta suplementação pode diminuir os níveis de VHS e PCR, a atividade da doença, os marcadores inflamatórios e o estresse oxidativo, além de melhorar os níveis de lipídios e a função endotelial.
Os ácidos graxos do tipo ômega 3 têm efeitos anti-inflamatórios que podem explicar seus benefícios. Em pacientes com artrite reumatoide, por exemplo, a suplementação com óleo de peixe foi associada ao aumento dos níveis plasmáticos de resolvinas e protectinas, proteínas que ajudam a conter a inflamação.
As Dras. Elena Philippou e Elena Nikiphorou recomendaram combinar alimentos e suplementos, isto é, comer peixes oleosos pelo menos duas vezes por semana, consumir regularmente fontes vegetais de ômega 3 — como sementes de chia, linhaça ou nozes — e considerar a ingestão de um suplemento diário que contenha 2 g de ácidos graxos do tipo ômega 3, como o ácido docosaexaenoico e o ácido eicosapentaenoico. A maioria dos efeitos colaterais do óleo de peixe é leve, como pirose e halitose, mas em doses altas pode ter efeitos anticoagulantes. Portanto, é fundamental cautela em pacientes que já fazem uso de anticoagulantes.
c – Probióticos. Aumentar a concentração das chamadas “bactérias boas” no intestino pode ajudar a combater os efeitos de doenças reumatológicas. Uma revisão sistemática de 80 estudos controlados randomizados publicada no BMC Medicine sugeriu que terapias direcionadas à microbiota intestinal podem melhorar os sintomas ou fatores inflamatórios na doença celíaca, lúpus, artrite idiopática juvenil, psoríase, síndrome de Sjögren, esclerose múltipla, esclerose sistêmica, doença de Crohn e colite ulcerativa.
Além disso, os probióticos mostraram redução da dor na fibromialgia, mas sem impactar os escores no Questionário de Impacto da Fibromialgia. Ao melhorar o equilíbrio bacteriano no intestino, os probióticos podem inibir fatores e vias de sinalização pró-inflamatórios e regular a diferenciação de células T CD4+, escreveram os pesquisadores.
Nem todos os suplementos probióticos têm os mesmos efeitos, que podem variar conforme o microrganismo e a dose. Até que mais estudos de alta qualidade sejam publicados, as Dras. Elena Philippou e Elena Nikiphorou recomendam o consumo diário de fontes alimentares probióticas, como iogurte, kefir, chucrute, kimchi, tempeh, missô e kombucha, além de fontes alimentares prebióticas, como banana, cebola, alcachofra, aspargos, alho, aveia e alho-poró.
d – Colágeno. Cada vez mais populares para a manutenção de cabelos, pele e unhas, alguns suplementos de peptídeos de colágeno ou colágeno hidrolisado também vêm sendo sugeridos como possivelmente benéficos para a saúde articular. No organismo, o colágeno ajuda na constituição das articulações. No entanto, como um suplemento, ainda não existe um consenso.
e – Coenzima Q10 (CoQ10). Esse antioxidante está naturalmente presente nas células, sendo produzido por fermentação microbiana para uso em suplementos alimentares. Uma revisão de 20 artigos com 483 pacientes publicada no Clinical Nutrition ESPEN concluiu que a suplementação de CoQ10 em até 300 mg/dia foi benéfica na artrite reumatoide, fibromialgia ou síndrome antifosfolipídica (SAF).
A CoQ10 pode proteger contra a superprodução de espécies reativas de oxigênio, que contribuem para a inflamação e danos nas articulações, disseram os pesquisadores.
Na fibromialgia, a suplementação foi associada a melhoras na dor, fadiga, sono, número de pontos sensíveis, transtornos de humor e escores no Questionário de Impacto da Fibromialgia, na maioria dos estudos avaliados. A CoQ10 também pode ajudar na fibromialgia melhorando a disfunção mitocondrial.
e – Melatonina. Comumente usada para ajudar no sono, esse hormônio tem atividades imunitárias e anti-inflamatórias que podem beneficiar pessoas com doenças reumatológicas. Uma revisão de 13 artigos com 533 pacientes publicada no Clinical Nutrition ESPEN concluiu que a melatonina pode melhorar o sono, a dor e o humor na fibromialgia, osteoartrite e osteoporose, mas não na artrite reumatoide. Os efeitos colaterais foram mínimos, mas algumas pessoas apresentaram náuseas, sonolência, pesadelos ou cefaleia. Doses de 5 a 6 mg/dia são provavelmente seguras para a maioria dos adultos.
Antioxidantes derivados de plantas.
Muitos suplementos usados na reumatologia são antioxidantes derivados de ervas, especiarias ou outras plantas. Quando as plantas enfrentam fatores estressantes, como mudanças de temperatura ou insetos famintos, seu metabolismo secundário se intensifica e cria compostos com propriedades biológicas.
1a – Cúrcuma e curcumina. Esse suplemento pode ser rotulado como cúrcuma, um tempero dourado em pó semelhante ao curry, ou curcumina, um composto antioxidante. Os curcuminoides podem reduzir a inflamação ao eliminar os radicais livres e inibir as enzimas que produzem prostaglandinas, disse o Dr. Luís.
A cúrcuma é o suplemento à base de ervas mais popular para pessoas com artrite reumatoide, segundo as pesquisas da Dra. Janet. Uma revisão de seis publicações com 539 pacientes publicada no periódico Frontiers in Immunology mostrou que os suplementos de curcumina melhoraram a VHS, o número de articulações edemaciadas e a contagem de articulações sensíveis em pacientes com artrite reumatoide.
Além disso, para pacientes com osteoartrite, a ingestão de 1000 mg/dia de curcumina foi associada à melhoria da dor e função física, conforme uma revisão sistemática com base em 12 estudos e 1.438 participantes publicada no periódico Nutrients. No lúpus, alguns pequenos estudos são promissores, mas ainda inconclusivos, segundo uma revisão publicada no Frontiers in Immunology.
Segundo a Dra. Janet, os pacientes que utilizam cúrcuma e metotrexato devem ser monitorados atentamente, pois ambos têm sido associados a problemas hepáticos. Alguns indivíduos também apresentam sintomas gastrointestinais, como diarreia, pois a cúrcuma não é bem absorvida no trato gastrointestinal.
2 a Cardo-mariano (silimarina). Essa planta é frequentemente comercializada como um suplemento hepático, mas pesquisas também indicam que ela é promissora na artrite reumatoide e osteoartrite. Uma revisão sistemática de 12 estudos publicada no periódico Current Rheumatology Reviews sugeriu que a silimarina pode aliviar a dor, reduzir a inflamação e proteger a matriz cartilaginosa, a membrana sinovial e as células da cartilagem no interior das articulações. Doses entre 250 e 750 mg parecem ser seguras. Podem ocorrer efeitos colaterais como gastroenterite, diarreia, distensão abdominal e cefaleia.
3 A Boswellia serrata. Obtida a partir da resina de uma árvore que cresce em regiões secas e montanhosas da Ásia e da África, a Boswellia serrata tem potencial para reduzir a dor e a rigidez nas articulações e melhorar a função articular na osteoartrite, segundo uma revisão sistemática de sete estudos com 545 pacientes, publicada no periódico BMC Complementary Medicine and Therapies. Os pacientes apresentaram benefícios ao tomar 100 a 250 mg/dia durante quatro semanas ou mais.
4 a Gengibre. O gengibre é um suplemento popular entre pacientes com artrite reumatoide. Uma metanálise avaliando três estudos com 330 pacientes, publicada no Nutrients, sugeriu que o gengibre pode reduzir a dor e a inflamação sistêmica em pessoas com osteoartrite. Estudos sugerem que a dose segura pode chegar a até 2 a 2,5 g/kg de peso corporal.
5 a Resveratrol. Encontrado em uvas vermelhas e vinho tinto, esse composto é especialmente eficiente em bloquear enzimas do tipo COX-2, importantes na cascata inflamatória. Estudos mostram que indivíduos com osteoartrite, artrite reumatoide ou arterite de Takayasu que tomaram 250 a 1.000 mg/dia de resveratrol apresentaram melhoras na dor, função física, atividade de doença, edema nas articulações e inflamação, sem efeitos colaterais.
6 a Canela. Essa especiaria termogênica está ganhando popularidade como suplemento, segundo o American Botanical Council, especialmente por suas propriedades associadas à redução da glicemia e ao fortalecimento da saúde óssea.
Em um pequeno estudo mostra que as participantes que consumiram 2 g/dia de canela em pó tiveram uma redução nos escores na escala DAS, além de menos dor e diminuição do número de articulações sensíveis e edemaciadas.
A canela pode reduzir a dor ao inibir as prostaglandinas e amenizar a inflamação.
Dr. Joffre Nogueira Filho – 3885 5066
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